Como pode uma pessoa ser tão abstrata a si mesma?
Ontem à noite, o frio que eu tanto amo se manteve, como nesses outros dias que tenho vivido. Sabe quando você fala e saem aquelas nuvenzinhas? É bem infantil, mas aquilo me atrai inexplicavelmente.
Sentei no capô do carro e olhei pra cima. O céu estava finalmente limpo, depois de tanta garoa.
Tão limpo que parecia de vidro, com muitas estrelas brilhando como se elas gostassem daquele tempo tanto quanto eu.
A profundidade daquele azul marinho me levava lá pra cima, me passando liberdade, sem nenhuma voz por perto para atrapalhar.
Era só eu. E eu estava feliz.
Não me importo com quantas vezes as pessoas tentem me magoar. Quantas eu me sinta menosprezada, ignorada, idiota ou totalmente vulnerável.
Não importa por quem eu me apaixone, quem me faça sorrir.
Em primeiro lugar vem meu mundo interior. Onde nada pode falar, sou só eu. E por mais que eu não abra mão e arrisque o que tiver por quem eu amo, por quem me apoia, quem me ensina a enxergar, quem está do meu lado sempre. Além disso, eu preciso ser completa por dentro.
Preciso não precisar de peças grandes faltando em mim.
Quem olharia e se encontraria naquele céu, se antes ele mesmo não se realizasse com sua imensidão?
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